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Com um percurso inédito no hóquei em patins, Sílvia Coelho relatou como é ser mulher na arbitragem.

Sílvia Coelho é a primeira mulher portuguesa com estatuto de árbitro internacional e a primeira a apitar na I Divisão. Fora do país, estreou-se em 2018/19, e na I Divisão já é juíza há cinco anos, tendo, no final de 2019, recebido o Cartão Branco do Instituto Português do Desporto e da Juventude e da Federação de Patinagem de Portugal, distinção que lhe reconhece a ética com que está campo. A árbitra, de 45 anos, colabora também com o futebol feminino do Boavista e dá à arbitragem nacional uma dimensão feminina num universo masculino e ainda marcadamente machista.

Como entrou a arbitragem na sua vida?
Sempre vivi em Valongo, terra de grande tradição de hóquei, por isso em jovem - e eu sempre adorei desporto -, além do futebol e do atletismo ainda joguei hóquei. Era guarda-redes e treinava sozinha, porque na altura não havia técnicos só de guarda-redes. Interessando-me por este posto específico, tirei um curso de treinadora, para saber mais e de uma perspetiva diferente. A dada altura tirei o curso de árbitro, só para perceber mais do jogo, tanto que estive 15 anos sem nunca ter apitado.”

O que a levou a dar o primeiro passo?
Fui-me viciando em hóquei e a certa altura queria perceber o lado do árbitro. Como tinha o curso, pensei experimentar e ver se tinha jeito. Inicialmente foi horrível. Queria um buraco para me meter sempre que gritavam comigo.

Nunca quis desistir?
Adorei ser jogadora, gostei muito de ser treinadora [ndr: nas escolinhas do Valongo], mas sou apaixonada pela arbitragem. Ajuizar é muito difícil. Não apitar é uma decisão e, às vezes, não apitar uma pequena falta dá um golo, enquanto a jogar, se falharmos um passe, temos mais 50 minutos para acertar. Por isso me apaixonei

Como foi chegar Divisão?
Foi um choque, porque são pavilhões com 1500 pessoas, onde o erro é o mesmo, mas a dimensão é maior; e era a responsabilidade de apitar os melhores do mundo. Chamar a atenção de um Pedro Gil ou de um Girão não é de todo o mais pacífico, embora devesse ser. A I Divisão tem muita técnica, tática e a velocidade é medonha. É difícil ver um determinado número de faltas, que, às vezes, são tão bem feitas que é pecado marcar. Parece que estamos a castrar o jogo [risos].

Qual é a sua ambição?
Os árbitros competem entre si a nível de classificação. Eu quero ser melhor. A nossa nota é de 0 a 100, eu trabalho para o 120. Sou grata a cada jogo que me dão. Recentemente, fiz um Barcelos-Sporting e não queria ver que ia fazer aqueles clubes, ia apitar apenas duas equipas. O meu objetivo é sempre o próximo jogo correr bem. Gostava de uma final do Europeu ou Mundial, mas prefiro não a fazer e que Portugal vá à final.”


Em 2021, ainda se olha de forma diferente para uma mulher árbitra?
Tenho a noção que, para chegar aqui, tenho de trabalhar mais do que se fosse homem, embora sinta o apoio da minha federação. Mas fui marcando posição ao longo dos anos. Ao nível dos jogadores, acredito que muitos têm formação académica, logo outro respeito, e já começam a ver mais igualdade. Têm mais cuidado com o que dizem, apesar de que também me mandam às favas e mandam-me ir ter com a minha prima e com a minha mãe [risos].

Como lida com os insultos?
-Se calhar oiço 98 por cento e filtro 99. No início ficava desolada e tive insultos que fui desvalorizando, outros tentava perceber o que queriam dizer, porque a imaginação é grande. Uma vez ouvi: "gostas de arroz de puta? mata a tua mãe e faz um arroz". É agressivo. Hoje rio-me... o gajo merecia um troféu. No norte é mais agressivo. No sul, uma vez, chamaram-me andorinha. Eu pensei: "como é possível alguém tratar-me tão bem?". No norte, caralho e foda-se são nada mais nada menos do que vírgulas. No início, quando me diziam que me iam matar, pensava: "será que é verdade?" Hoje digo sempre ao meu colega: "o gajo tem de ir para a fila, que já há seis a quererem" [risos]. O insulto que menos me incomoda é o do público, porque há muita ignorância.

O insulto ou a agressão não é o único lado mau de ser árbitro, há ainda o perigo de ser atingido por uma bola, que sai disparada a mais de 100 km/h. Não tem medo?
90 por cento das vezes que o árbitro leva com a bola é por má colocação ou por não estar atento. Mas apitei o jogo em que o André Azevedo [ndr: atual técnico do Viana] perdeu a visão de um olho. Foi assustador. Nesse jogo, o André tinha vindo contra mim e partiu-me os óculos. Acontece...

Jogos sem adeptos por causa da pandemia: "O árbitro, tal como o jogador, está formato para ouvir o público"
A pandemia anulou a época de 2019/20 e já fez estragos em 2020/21, ao terem sido adiadas as provas europeias de clubes para abril, mas agora há novo formato e menos equipas: apenas nove na Liga Europeia e sete na Taça WSE. Para Sílvia Coelho, esta será a terceira época na Europa e o adiamento desanimou-a, tal como a ausência de público, apesar de a poupar aos insultos: "O árbitro gosta do calor do público e de pavilhões cheios. Além disso, agora o ruído do jogo a nível disciplinar é muito mais ativo. O árbitro, tal como o jogador, está formatado para o público. Qualquer "caraças" ouve-se e se o árbitro não agir pode ser penalizado.


"Gostava de influenciar outras mulheres"
Reconhecimento, gratidão e orgulho” são as palavras que descrevem as sensações de Sílvia Coelho ao ter sido promovida a árbitra internacional, lembrando-se, como se fosse ontem, do seu primeiro jogo fora de Portugal, que aconteceu em Manlleu, na Catalunha. "Foi especial quando cheguei ao aeroporto; estavam à minha espera e vesti um equipamento que não o do meu país. Havia muita curiosidade em saber quem era a mulher portuguesa árbitra", contou a juíza, que sonha em "influenciar outras mulheres". "Gostava que vissem em mim uma força para virem para a arbitragem. Se eu consegui, elas também conseguem. De início é difícil, chorei muito. Tive pessoas que me fizeram acreditar, outras desacreditar a mil por cento. Mas, com resiliência, consegui. Quem vier tem de saber que precisa de trabalhar muito, ver muito hóquei, querer muito aprender e dedicar-se imenso", alerta.

Fonte- Jornal “O Jogo” * Fotografia- Pedro Correia/Global Imagens

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