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Luís Querido, 28 anos, jogador de hóquei do Lodi. O hoquista que já presenciou a realidade das 3 principais ligas europeias, fala-nos da sua formação em Espanha, das conquistas pelo clube do “coração” e do sucesso em Itália. Comenta ainda a política de contratações dos 3 grandes e a ambição de representar a Seleção.


O seu pai, José Querido, é nome sonante do hóquei nacional e por isso cresceu, desde menino, no ‘ringue’. O seu pai transportava a exigência que tinha diariamente com as suas equipas para casa?
O meu pai sempre soube lidar com a questão de que, o que se passa no pavilhão, fica no pavilhão. A minha mãe sempre soube que a vida de treinador não é fácil e também o ajudava muito nesse sentido. Mas é um homem que adora conversar sobre aquilo que mais ama, o hóquei em patins, e por isso a conversa lá em casa sempre teve hóquei.

Fez a parte final da sua formação em Espanha, em clubes como o Liceo e o Barcelona, onde teve enorme sucesso. O que esteve na origem do seu regresso ao país natal e não continuação no hóquei sénior em Espanha?
Quando terminei a minha formação tive dois convites de 2 equipas espanholas. Um para a primeira divisão e outro para a segunda. Na altura, o Porto Santo queria construir um projeto novo e que era bastante interessante, com muitos jogadores que eu já conhecia e por isso chamou-me mais atenção o regresso a Portugal que continuar em Espanha.

Em Portugal, começou por clubes modestos mas rapidamente ascendeu a uma equipa, que se pode considerar, da 2ª linha nacional. Como foi recebida por si a notícia que iria jogar no clube da terra onde nasceu e como foi essa experiência?
O Barcelos é o meu clube do coração e daria qualquer coisa para jogar por aquele clube, era um sonho de criança! Jogava nos Tigres de Almeirim na altura e logo após a chamada do Óquei Clube de Barcelos eu disse que estava disponível e que queria voltar. Foi maravilhoso voltar a patinar na “minha casa”.

Que recordações guarda do bicampeonato alcançado pelo OC Barcelos na Taça CERS?
Todos os títulos nos marcam, mas sem dúvida que esses tiveram um sabor especial. Estava a cumprir sonhos, metas lançadas por mim ainda muito jovem e estava a cumprir aquilo que me tinha proposto. As pessoas de Barcelos mereciam que o clube fosse acordado, que vencesse, e assim foi.

Sei que era sonho de criança jogar em Itália. Foi por isso fácil a decisão de aceitar a proposta do Lodi? E após o título de campeão nacional que ambições existem para esta nova época?
Foi fácil chegar a acordo com o Lodi. Mais difícil foi tomar a decisão de sair de Barcelos. Mas a escolha foi bem feita, conquistei o campeonato logo no primeiro ano aqui e o desejo para este ano é, no mínimo, repetir a conquista do ano passado. Se conseguirmos juntar a Supertaça e a Taça, seria maravilhoso.

Quando se transferiu para o Lodi teceu um comentário pouco abonatório à política de contratações dos grandes em Portugal. Pensa na possibilidade futura de jogar por um deles, caso haja essa hipótese, na busca de títulos nacionais?
Obviamente que sim. O meu comentário foi sincero e sem maldade, com a tentativa de fazer perceber a quem comanda que, com este tipo de políticas, estamos a cortar o crescimento de jovens valores e a obrigar jogadores com valor a terem que jogar noutros campeonatos quando existe qualidade para o fazerem no campeonato português. Cada clube tem a sua história, a sua política de contratação e a sua ambição. São livres, pelos regulamentos, de contratar quem entenderem ser mais valia para eles.

A liga italiana continua na sombra das duas ibéricas. Na sua opinião, qual o fator que mais condiciona a evolução da mesma?
Tenho que discordar desta pergunta pelo simples facto de que não me parece que se esteja na sombra da liga espanhola ou da portuguesa. Em Itália, joga-se um hóquei atrativo: de contra ataque; de beleza; de tecnicismo. A grande diferença para Portugal está na baixa intensidade que se mete em momentos de jogo que acabam por ser fatais, como se viu agora no europeu da Corunha, nos jogos que Itália fez com Portugal e com Espanha. Outro exemplo disso é que se fôssemos de um campeonato na sombra do português e do espanhol, dificilmente teríamos ganho ao Sporting e empatado com o Liceo fora de portas.

Um dos objetivos futuros passa como é natural por representar a Seleção Nacional A. Foi frustrante ser um dos dois jogadores a caírem da pré-convocatória para a convocatória final do Europeu? Pensa que se deveu ao facto de ser o único “estrangeiro”?
O sonho de qualquer atleta é poder representar a Seleção Nacional e eu não fujo à regra. Já estive perto de o fazer em competições internacionais por duas vezes e não vou desistir desse sonho. Deveu-se a uma decisão técnica que temos que aceitar e respeitar, pois já sabíamos desde início do estágio que dois atletas teriam que ficar de prevenção.

Não é dos dias de hoje, nem se prevê fim à vista: numa modalidade tão histórica para nós latinos, o que falta para aliciar outras culturas?
Muitas vezes falo sobre isso com o meu pai que está a treinar na América do Sul. Lá existe qualidade, existem jogadores com possibilidades de jogar na Europa, mas as condições em que trabalham não lhes permite dar mais que aquilo. Faltam apoios, fundos para se acertar na publicidade correta e alguma cultura de hóquei. Se realmente se quer crescer em algo, tem que se apostar nas pessoas corretas. Países não tão desenvolvidos a nível de hóquei devem contratar pessoas ligadas à modalidade e fazerem-se projetos com vista a longo prazo. Se quisermos resultados para amanhã, estamos a andar para trás.

Por fim, questioná-lo sobre o que mais sente falta quando está fora de Portugal. Passou muito tempo da juventude em Espanha e agora já está há um ano em Itália.
Como em todos os casos para quem emigra, o que se sente mais falta é do nosso “cantinho”. De fazer uma chamada para um familiar ou um amigo e marcar algo para o próprio dia. No meu caso, além disto, também sinto falta de passear à beira mar, pois pela primeira vez na minha vida estou a viver no interior do país.

Fonte/Foto – www.odesportista.net  * Texto e Edição de Rafael Lopes