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Vítor Hugo Moreira Pinto, 34 anos. Jogador de hóquei em patins da UD Oliveirense.

OD: Nasceu em Vila Nova de Gaia, terra vizinha do Porto, em 1984. Poderá ser coincidência ou não mas, no ano em que nasceu, uma eterna lenda do hóquei nacional e, nomeadamente, do hóquei do Futebol Clube do Porto, chamada Vítor Hugo, jogava ao mais alto nível. Era um prenúncio?


VH: Sim, é verdade! Quando nasci, jogava no Porto um "monstro" do hóquei em patins, um dos melhores jogadores de sempre, a par do senhor Livramento, mas foi apenas uma coincidência [risos]. Longe de mim pensar que algum dia ia ser jogar de hóquei. Foi mesmo uma coincidência termos o mesmo nome. O "verdadeiro" Vitor Hugo teve uma carreira excelente e foi um dos melhores jogadores de hóquei patins desde que existe a modalidade.

OD: O clube que representou na sua formação foi o Gulpilhares. Clube com História na formação de jovens hoquistas no início do século, que chegou mesmo a conquistar títulos Nacionais em três escalões de formação entre 2002 e 2005. Esteve presente em algum deles? E que recordações tem desse tempo?


VH: Comecei no ACD Gulpilhares - Hóquei 1944, como referiste, desde o primeiro dia que a secção abriu, e foi por viver a 500 metros do pavilhão que fui lá experimentar e, a partir daí, fui a todos os treinos. Foi o clube que me formou como pessoa e jogador, o clube onde eu passei mais tempo (desde os cinco anos de idade) e um dos momentos mais bonitos da minha vida, onde fiz os meus grandes amigos. Vivia o clube como ninguém e tive a sorte de, em 2003, ser campeão nacional. Foi o primeiro título nacional que tive, no meu clube, no clube onde cresci, no clube que mais me diz no hóquei... Foi absolutamente fantástico e tenho muito orgulho nisso.

OD: Campeão Mundial de sub-20 e com os títulos que conquistou na formação, quando sentiu que podia fazer desta paixão vida?


VH: Sem dúvida! O ano 2003 foi um ano espetacular e muito importante na minha vida desportiva. Fui campeão nacional de juniores, fui campeão do Mundo, no Uruguai, de sub-20 e fui também campeão da Europa. Tínhamos uma geração muito forte, com grandes jogadores, e se calhar foi aí que vi que poderia ser alguém e fazer vida do hóquei. Foi também aí que tive os primeiros contactos do Benfica e pensei e acreditei que poderia fazer uma carreira no hóquei (não exclusivamente do hóquei, mas ajudando muito na minha vida pessoal).

OD: Após 3 anos de Benfica, ingressou no Espinho. Sente que teve que dar um passo atrás para dar dois à frente?


VH: Depois de três anos no Benfica, que a nível desportivo não foi muito produtivo (não ganhámos nenhuma competição), e a nível individual também não foi aquilo que estava à espera, chegámos à conclusão que era melhor sair e fiquei muito agradado com o projeto que a Associação Académica de Espinho me apresentou: pela equipa (muitos jogadores já conhecia), por ficar perto de minha casa e por saber que ia ser uma peça importante no clube. Foi um risco ponderado, porque era um clube que precisava de ter "sustento" na primeira divisão, mas tinha a missão de ir ajudar e jogar, de modo a voltar a ser feliz no hóquei. Uma pessoa só se jogar e tiver minutos de jogo é que evolui, é que se sente bem. Basicamente, foram dois anos fantásticos, em que me senti muito útil (inclusive cheguei a ser o melhor marcador do campeonato) e me valorizei, tendo depois ido à seleção nacional. Foi muito bom, mesmo!

OD: A segunda passagem por um clube grande foi bem mais feliz. No Porto, chegou como “apenas mais um” e saiu como um goleador nato. Sentiu que evoluiu muito nesses anos? Campeão no ano de estreia e no último ano de Dragão ao peito, que memórias tem desses títulos?


VH: Depois da Académica, fui ainda um ano para a Oliveirense. Foi um ano fantástico, onde ganhámos a Taça de Portugal e, em seguida, fui para o Porto. A ida para o Porto foi o culminar de um sonho - um sonho de menino, um sonho de carreira. Cheguei lá e era um grupo fantástico, com excelentes jogadores, ou seja, tinha de trabalhar muito para jogar e ser útil. Aprendi imenso com esta experiência e saí de lá muito melhor jogador e pessoa, e sem dúvida que ser campeão no Porto, no primeiro ano, foi a realização de um sonho de há muito. Quando saí, após 5 anos, também campeão, foi muito importante e muito bonito, não vou mentir. O último jogo em casa, com a minha família, os meus amigos, toda a gente que gosta de mim, foi um momento especial e guardo grandes recordações desse jogo, até do último segundo, com o golo anulado, um misto de emoções... Foi, sem dúvida, uma grande passagem e um momento fantástico na minha carreira.

OD: Depois de Benfica e Porto, seguiu-se o Sporting. Ao contrário do que acontece no futebol, no hóquei e nas modalidades é normal um jogador fazer carreira nos rivais. Alguma vez sentiu o ódio exacerbado e o fanatismo por parte dos adeptos em algum desses momentos?


VH: Sei que é um bocado "normal" uma pessoa jogar em mais do que um clube "grande", mas agora nos três... Tive a felicidade de jogar nos três grandes de Portugal e, agora, também na Oliveirense, que também é um grande do hóquei mundial. Mas nunca senti qualquer tipo de provocação, muito derivado à minha maneira de estar no desporto e, sobretudo, na vida - respeito toda a gente, soube estar de forma séria e honesta nos clubes por onde passei e deixei em todos eles amigos, tanto na estrutura, como no plantel. Claro que, no calor do jogo, pode ocorrer alguma picardia, alguma coisa pontual (isso faz parte), mas ódio nunca senti, até porque sempre me senti muito acarinhado por todos os adeptos e companheiros.

OD: Fala-se que o Sporting tem os “melhores adeptos”, principalmente quando falamos de apoio às modalidades. Sentiu isso?


VH: Não é novidade nenhuma que o Sporting tem adeptos absolutamente fantásticos e apoiam as modalidades como poucos. Se calhar, os adeptos do Sporting têm de ser estudados [risos]. Sem dúvida que senti um apoio muito forte de adeptos que faziam mil quilómetros para nos ver... são mesmo especiais. Tanto em casa como fora dela, estávamos a jogar sempre em casa, como a música diz [risos].

OD: Campeão Europeu nesta época pelo Sporting. Como um jogador gere as emoções ao ficar de fora de uma meia-final europeia? Foi este o momento mais feliz da sua carreira?


VH: Sim, ser campeão europeu foi a cereja no topo do bolo. Era o título que mais queria ganhar e o mais cobiçado a nível do hóquei!
Apesar disso, não jogar aquela meia-final foi difícil, sim. Todos os jogadores gostam de estar nos grandes palcos, ainda para mais contra o Benfica, o eterno rival do Sporting. Foi um momento duro e complicado de digerir, mas faz parte. São as regras do jogo e, como profissional que sou, tive de aceitar e apoiar a equipa porque, acima de tudo, se ganhássemos, ganhávamos os 12.

OD: Jogou no Futebol Clube do Porto, no Sport Lisboa e Benfica e em ambos esteve perto de conquistar esse título europeu. O que faltou nesses tempos ou o que teve este Sporting para que se consomasse esse feito agora? (Por exemplo o Porto vai numa senda de 10 finais perdidas consecutivamente desde 1997)


VH: Sim, no Porto estive muito perto de ganhar a Liga dos Campeões, principalmente na vez em que perdemos em casa com o Benfica - se calhar foi o momento mais difícil de digerir, pelo ambiente e adeptos. No Benfica, infelizmente, na altura não se apostava nas competições europeias, por isso, nos três anos em que estive lá, não jogámos qualquer jogo desses.
Felizmente, tive o prazer de ganhar a última, com o Sporting. Como é que eu hei de vos explicar... Foi um bocado de sorte, foi um pouco de diversos fatores. Tem que ver com a competência, momentos de forma. Mas não te consigo dizer precisamente o que é que faltou para não ter ganho a competição no Porto.

OD: Irá fazer 35 anos na presente época. O futuro a curto-prazo é na Oliveirense, e a longo?


VH: Vou fazer 35 anos em outubro... Serei jogador da União Desportiva Oliveirense/ Simoldes- Hóquei em Patins, com muito orgulho, e sem dúvida que vai ser a grande oportunidade de continuar a jogar num grande clube de hóquei, com grandes jogadores, grandes adeptos, grandes treinadores. A longo prazo, sinceramente, não sei, mas uma pessoa tem que aproveitar o momento, enquanto tiver capacidades para fazer aquilo que se gosta e enquanto as pessoas acreditarem em nós. Depois, logo se verá... Não sei se vou ficar ligado ao hóquei. Tenho o curso treinador e, inclusive, já treinei, na altura, na academia Dragon Force e gostei muito, mas também, nos anos em que estive no Porto, trabalhei noutros ramos - algo que também gostei bastante e até me ajudava a desanuviar.
Basicamente, foi como disse, enquanto acreditarem em mim e me sentir útil, vou trabalhar ao máximo, lutar ao máximo, e quando sentir que "já chega", logo ponderarei e falarei com a família para decidir o futuro.

Fotografia | Sporting Clube de Portugal
Fonte: O DESPORTISTA

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