a c e b o o k
  • This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

 

  • Hot
  • Top
  • Outras

1.ª D- Resumo AD ...

Terça-feira , Dez 07 2021
21

Pedro Henriques- “Espero ...

Terça-feira , Dez 07 2021
21

FPP- Formação: Ética no ...

Terça-feira , Dez 07 2021
31

Hóquei fica mais pobre

Segunda-feira , Jul 30 2018
61513

Patinagem reconhecida ...

Segunda-feira , Nov 09 2015
30000

CM Feminino- Portugal ...

Sábado , Out 01 2016
24285

André Centeno e Luís ...

Quinta-feira , Jun 11 2015
1645

Vítor Pereira- “temos o ...

Sexta-feira , Abr 08 2016
1552

Francisco Santos (PFC): ...

Quarta-feira , Nov 23 2016
1327

5 Barbeiro Completo

Terronia

EstebanAbalosSporting324235

«‘Tuco’ chegou a Portugal em 2010, ganhando tudo na Luz, mas em 2015 rumou a Alvalade, sem qualquer drama

RECORD – Como surgiu a oportunidade de vir para Portugal?
ESTEBÁN ABALOS – Quando ligaram do Benfica foi uma alegria porque podia vir com o Cacau. A minha esposa é muito amiga da dele e estavam as duas grávidas. Ele já conhecia Portugal e era diferente virmos com eles. Tinha outras ofertas de Itália, até melhores do ponto de vista económico, mas decidimos mudar e o Benfica foi um desafio. Era um clube grande, com história e podíamos devolvê-lo aos títulos. O Benfica está onde está também em parte graças a nós.

R – A adaptação foi fácil?
EA – Senti-me sempre confortável a jogar, com os meus colegas, o treinador Luís Sénica e o adjunto Nuno Ferrão, que me ajudaram muito. Posso ter tido alguma dificuldade em adaptar-me ao hóquei português, como têm todos os estrangeiros que chegam, mas joguei sempre. É importante para um jogador ter a confiança do treinador.

R – Muitos títulos depois, rumou ao Sporting.
EA – Não sei se alguém não quis chegar a acordo ou se pensaram que nunca iria embora, mas nunca perceberam que eu não sou português. Não sou nem benfiquista, nem do FC Porto, nem do Sporting. Sou do River Plate, da Argentina. Isto é o meu trabalho e tenho uma família para sustentar. Não sei se as pessoas acham que vou valorizar a camisola e que vou ao banco pagar as contas com o emblema do Sporting ou do Benfica. Demoraram muito a falar comigo e quando perceberam que podia ir para o rival, foram atrás de mim, mas já tinha dado a minha palavra.

R – A vitória na Supertaça, em 2015, foi uma espécie de vingança?
EA – Aquele jogo foi muito difícil. Encontrar os meus colegas, com quem tinha ganho tudo. Joguei 5 anos com eles, mas queria mostrar que podia continuar; diziam-me que já estava velho, mas o meu rendimento, a minha condição física, não mudou e mostrei isso até ao último encontro.

R – Faltou depois continuidade ao Sporting...
EA – Começámos bem, mas depois foi a realidade da equipa. Estávamos a jogar acima do nosso nível. Mas só quem percebe de hóquei percebeu isso e havia gente dentro do clube que achava que tinha ali um Barcelona. Era uma equipa para disputar os primeiros lugares, mas não para ganhar tudo e sabíamos isso. Os dirigentes apostaram alto, a dizer que íamos ganhar tudo em Portugal e na Europa, mas não foi assim. Perderam a paciência, começaram as pressões, começaram os problemas. E o nosso rendimento começou a cair ainda mais.

R – Esta época começou a ficar comprometida na secretaria?
EA – Estávamos a trabalhar bem e foi um jogo [com Paço de Arcos] em que ganhámos em pista. Sabíamos que ia ser um campeonato equilibrado até ao fim, e perder três pontos colocava-nos uma pressão incrível. Tínhamos alguns problemas internos que afetaram a equipa. Foi difícil e esses três pontos deitaram-nos abaixo.

R – E o treinador Guillem Perez acabaria mesmo por sair...
EA – Íamos para o treino e eu soube naquele mesmo dia que o treinador já não era o mesmo. É uma demonstração de instabilidade que afeta o grupo e a equipa, porque se pensa que as pessoas lá não valem nada. De um momento para o outro, puff... desaparecem. Têm de tomar decisões mais pensadas, de ser mais objetivos. Estas mudanças radicais afetam muito a equipa.

R – O que falta a este Sporting?
EA – Tem de ganhar alguma coisa importante. No dia em que conseguir, vai perceber como é e vai passar a ser um clube com mentalidade ganhadora. Têm de aprender com quem ganha e ver porque ganham. O presidente tem apoiado muito, mas lidera um clube grande e não está em cima dos pormenores, não toma as decisões que fazem a diferença lá dentro. É melhor ter um conjunto de pessoas com experiência, ex-jogadores ou pessoas que já viveram muito no hóquei.

R – Como o marcaram os diferentes treinadores que teve?
EA – Estive 5 anos no Benfica e tive dois treinadores. Em dois anos no Sporting, tive três. Vê-se também por aí a diferença de estabilidade, de paciência. O melhor treinador que tive foi o Sénica. É uma pessoa que está muito acima da média dos treinadores a nível intelectual e cultural. Portugal tem a sorte de o ter na Seleção. O Pedro Nunes já recebeu uma equipa a ganhar, com estrutura, e soube geri-la bem, continuando a ganhar. Do Sporting só vou falar do Guillem Perez, porque é uma pessoa espetacular. Chegou num momento muito estranho, entrou com um ambiente hostil, onde havia muitas guerras internas, entre dirigentes. Não se sabia quem mandava. Para ele era um país novo, um idioma novo. Aprendi muito com ele e gosto de como vê o hóquei. Vai triunfar e ser um grande treinador.
"Ninguém acreditava na vitória europeia"

R – Qual foi o título mais marcante que ganhou?
EA – Sem dúvida a Liga Europeia, em 2013, porque o Benfica nunca tinha ganho a prova e porque foi contra o FC Porto. Uma semana antes tínhamos lá ido para o campeonato e perdemos. Quando voltámos a Lisboa, o Sénica deu-nos quatro dias de folga. ‘Limpem a cabeça, recuperem, e vamos ganhá-la’, disse-nos. Só um treinador com muita confiança consegue fazer isto. Acho que ninguém, para além dos jogadores e corpo técnico, acreditava que podíamos sequer chegar à final, quanto mais ganhar. Depois das ‘meias’, fomos para o hotel, mas o Pedro Henriques acordou-me porque tínhamos uma reunião. O eng. Trindade disse-nos que não ia haver jogo, o presidente dera a ordem para tomarmos o pequeno-almoço e voltarmos. Todos disseram "não, vamos jogar. Ficamos contra a vontade do presidente, contra a vontade do Benfica. É a oportunidade que temos de fazer história". O Valter teve a difícil tarefa de ligar para o presidente, que percebeu e deixou-nos jogar.
"Sem resultados sacrificaram as pessoas"

R – Quais foram os piores momentos que viveu em Portugal?
EA – As dispensas do Sporting. Aconteceu na época passada, com quatro, e esta época com o André Centeno e o Sergi Miras. Era a equipa que perdia ou ganhava, mas sacrificaram pessoas porque não tiveram resultados. Estão no seu direito, mas há momentos e maneiras de fazer as coisas. Nos dois anos que estive no Sporting não gostei da forma como trataram os atletas. E vivi-o de perto. Dava-me muito bem com os que saíram esta época, e o Luís Viana e o Cacau, que saíram na época passada, são dos meus melhores amigos no hóquei. Sei o que sofreram, o que sofreu a família... foi duro. Os clubes – e não só o Sporting - têm de perceber que os atletas têm família e têm uma vida. E têm de respeitar isso e não hipotecar o seu futuro. Os dirigentes podem ser adeptos, mas não podem dirigir como adeptos.»

Foto|Fonte: Jornal "Record" | Autores: Pedro Alves dos Santos

workshops para rodapé Noticias DepilaçãoaLinha