PauloRainha

Estivemos à conversa com Paulo Alexandre Rainha, que aos 37 anos é Diretor Técnico de Informática numa empresa de Barcelos, cargo que concilia com a arbitragem. Com 10 anos de experiência (tirou o curso em 2004), esteve 2 anos na categoria Regional, 3 anos na categoria Nacional B, 5 anos na categoria Nacional A, tendo entretanto passado à categoria Europeu, já tentou patinar, mas a saúde não lhe permitiu continuar. Quando abordado para falar sobre as suas opiniões e experiências, acedeu prontamente, deixando-nos a visão de quem tantas vezes é criticado, ajudando-nos também a perceber o outro lado do jogo, que nem sempre é valorizado como deveria.

Plurisports (PLR): Quais as principais razões que o levaram a ser árbitro?
Paulo R.: Gosto pela modalidade, pois embora tenha chegado a iniciar a patinagem no hóquei em patins, acabei por ser obrigado a parar por motivos de saúde, não chegando posteriormente a retomar a atividade. Ainda assim, o bichinho ficou cá dentro e sempre assisti sempre aos jogos em Barcelos e alguns fora, até que um dia entrei na Associação de Patinagem do Minho para resolver um problema informático e vi um cartaz de Curso de Árbitros que se iniciava em breve e perguntei ao funcionário da APMinho, o Sr. Costa: “Então vai abrir um curso de árbitros” ele respondeu “Sim e vou-te inscrever nem que seja só para saberes as regras. Precisamos de pessoas.” e assim foi tirei o curso e aqui estou com 10 anos de atividade. Se me perguntarem se pensava que ia ser assim, a resposta é não pois nunca pensei entrar nem me imaginava no mundo da arbitragem. Portanto como se costuma dizer, caí de para-quedas.

PLR: Tendo em conta o papel do árbitro no jogo, como peça fundamental e indispensável ao mesmo, acha que os árbitros deveriam ser tratados de outra forma?
Paulo R.: Na minha opinião, acho que deveríamos ser tratados de outra forma porque os adeptos, jogadores e demais intervenientes do jogo deviam perceber que somos seres humanos e temos frações de segundos para decidir os lances e nem sempre temos a melhor decisão como esperamos ter. Reconheço que a nossa missão é complicada e estamos sujeitos a muita pressão durante o jogo pois uma má decisão nossa pode determinar o resultado de um jogo mas por que razão quando temos uma falha mesmo que por insignificante que seja somos tratados às vezes de maneira pouco agradável? Acho que as pessoas de um modo geral deviam ser mais tolerantes e saber mais um pouco das regras de jogo.

PLR: Quais os momentos positivos mais marcantes da carreira?
Paulo R.: Há vários momentos marcantes na minha curta carreira como a final da taça de Portugal do ano passado entre o Fc Porto e Sl Benfica em Turquel, o meu primeiro jogo a nível europeu em Inglaterra, o Campeonato de Europa Sub-20 - 2014 em Valongo, sendo o mais marcante o meu primeiro clássico em 2012 entre o SL Benfica e o Fc Porto em pleno pavilhão da Luz, completamente cheio, em que o jogo podia determinar o campeão daquela época.

PLR: Quais os momentos menos positivos?
Paulo R.: O momento menos positivo foi quando num jogo de 1.ª divisão onde se decidia das equipas descia de divisão e quase a acabar o jogo, num lance por mim apitado, fui totalmente encharcado por elementos do banco, o público também atirou vários objetos para a pista, estando o jogo parado algum tempo, com a força policial a ter que intervir com alguma violência.

PLR: Quais objetivos a curto/médio prazo?
Paulo R.: Continuar o meu trajeto, como tenho feito até agora e conseguir ganhar o meu espaço na arbitragem nacional e internacional.

PLR: Qual o jogo/competição que sonha um dia apitar?
Paulo R.: O jogo pelo qual sonho um dia arbitrar será uma final de um Campeonato do Mundo de Seniores, que para mim é o topo da carreira. Mas para isso tenho de trabalhar ano após ano para cimentar a minha posição a nível nacional e internacional.

PLR: Que mensagem deixa a todos os intervenientes do Hóquei em Patins?
Paulo R.: A todos os intervenientes do Hóquei em Patins queria deixar a seguinte mensagem: “Abracemos o Hóquei em Patins como nossa segunda casa e vamos tratar como ele merece. Para que volte a ser a modalidade Rainha do desporto nacional e assim voltar aos anos em que os pavilhões estavam repletos de uma linda moldura humana, de adeptos fervorosos, a apoiar os seus clubes.”